Monitoramento
O estado corrente da planta — quem está online, com que sinal, e como a saúde das OLTs é acompanhada.
A topologia diz o que existe. O monitoramento diz como está. São duas perguntas diferentes, e a segunda só é útil se a resposta estiver pronta antes de alguém perguntar.
Estado das ONUs
A plataforma lê a planta em ciclos, e o intervalo entre uma leitura e a seguinte é definido na implantação. O resultado é um estado por ONU, sempre o mais recente: online, offline, e a causa provável quando a ONU está fora. Não é preciso atravessar histórico para saber como a rede está agora — o estado corrente é a resposta direta.
Há uma regra de comportamento que vale registrar, porque ela muda o que se pode concluir da tela: o primeiro sinal de falha manda até que a origem reporte que a ONU voltou. Leituras não chegam necessariamente na ordem em que foram feitas. Uma leitura atrasada, que descreve um instante anterior à queda, não apaga a falha nem repinta a ONU de online. Só uma leitura que afirma o retorno encerra o estado de falha.
O efeito prático é evitar o falso “voltou” — o erro que fecha o chamado que deveria continuar aberto e devolve o assinante para a fila. Uma ONU marcada como fora do ar continua fora do ar até que a rede diga o contrário.
A causa provável acompanha o estado. O que a separa de um palpite é o sinal registrado imediatamente antes da queda: uma fibra rompida e um equipamento desligado na tomada não deixam a mesma assinatura no último valor lido. É por isso que o histórico de sinal importa mesmo para a ONU que já está offline — o valor anterior à queda faz parte do diagnóstico, e ele não existe se ninguém estava medindo antes.
São três as causas que a plataforma classifica. Queda de energia, quando o equipamento ainda consegue avisar que está perdendo alimentação. Rompimento de fibra, quando o sinal desaparece sem aviso nenhum. Sinal degradado, quando a ONU já vinha com o nível ruim antes de sair. As três apontam para encaminhamentos diferentes, e essa é a utilidade de separá-las: a primeira costuma se resolver sozinha, a segunda é acionamento de campo, e a terceira é manutenção que cabe numa agenda.
Sinal óptico
O sinal é guardado nos dois sentidos, em dBm: RX, o que chega à ONU, e TX, o que ela devolve. Cada ONU tem a sua série, e a porta PON tem o agregado das ONUs abaixo dela.
O agregado por porta responde a uma pergunta que a leitura individual não responde. Uma ONU com sinal ruim é um problema de um assinante — conector, curvatura, drop. Uma porta inteira com o nível caindo é um problema do tronco, e os chamados individuais que vão chegar nas próximas horas são sintoma, não causa. Ver o agregado é ver o problema antes da fila.
O histórico é o que separa dois casos que a foto do momento confunde:
- Degradação lenta — o nível cai ao longo de dias ou semanas. Conector sujo, emenda envelhecendo, curvatura que alguém criou numa manutenção. Ainda funciona, ainda não gerou chamado, e vai gerar.
- Queda súbita — o degrau entre uma leitura e a seguinte. Rompimento, obra na rua, equipamento removido.
A distinção muda a decisão. Degradação lenta é manutenção que cabe numa agenda. Degrau é acionamento agora. Sem série histórica, as duas chegam à tela com a mesma cara.
A série de cada ONU e o agregado por porta ficam disponíveis por doze meses.
Saúde das OLTs
A OLT é monitorada como equipamento, e não apenas como fonte de dados sobre as ONUs penduradas nela: CPU, memória, temperatura e tráfego de uplink.
Cada um desses responde a uma pergunta que costuma ser feita depois do incidente e raramente antes. Temperatura é a pergunta sobre o POP — refrigeração parada, porta do rack aberta, verão. CPU e memória dizem se o equipamento está sob carga, o que muda a leitura de qualquer lentidão relatada no mesmo período. E o tráfego de uplink é o que dá tratamento ao chamado que costuma resistir ao diagnóstico: o assinante reclama de lentidão e todas as ONUs estão online, com sinal bom. Se a série de uplink mostra a interface saturada no mesmo horário, a rede óptica não é onde procurar. Sem essa série, a conversa termina em opinião.
Alarmes
O monitoramento não serve só para ser consultado. Quando o que ele lê sai do esperado, a plataforma gera alarme — a leitura fora da faixa deixa de ser um número no meio de outros e passa a ser um item que pede decisão.
Três condições geram alarme: ONU offline, sinal óptico fora da faixa e OLT inacessível. As duas primeiras são o assinante. A terceira é a origem do que se sabe sobre todos eles — uma OLT que não responde não gera queda nenhuma na tela, e é justamente por isso que ela precisa de alarme próprio.
Os limiares são ajustados por instalação. O que é sinal aceitável numa planta não é o mesmo em outra, e um valor fixo do produto alarmaria demais em umas e de menos em outras.
O alarme é entregue na plataforma, e só nela: não há notificação para fora hoje. A operação saber que o alarme existe continua dependendo de alguém com a tela na frente. É um limite real, e vale dizê-lo antes que alguém desenhe um plantão em cima da suposição contrária.
Por onde continuar
Um alarme isolado é um assinante. Vários alarmes ao mesmo tempo, no mesmo ponto da árvore, são outra coisa — e é aí que o agrupamento automático entra.
- Eventos e massivas — a queda registrada com início, fim e sinal, e as quedas concomitantes agrupadas por escopo.
- Mapa da rede — o mesmo estado corrente, lido pela geografia.
Atualizado em 08 de setembro de 2026