Mapa da rede
A planta desenhada no mapa — CTOs, assinantes e o que a geografia revela que a lista não revela.
A lista responde quem caiu. O mapa responde onde. São perguntas diferentes, e algumas hipóteses de causa só aparecem quando a segunda é respondida — porque a coincidência que as sustenta é geográfica, não topológica.
O que o mapa mostra
O mapa desenha as CTOs georreferenciadas e os assinantes ligados a elas. É a visão física da planta: entra nele o que tem posição no mundo.
Isso explica por que o desenho parte da caixa e não da porta. A porta PON não tem coordenada, e as ONUs atendidas por uma mesma porta podem estar espalhadas por quarteirões diferentes. A CTO tem endereço. A distinção está detalhada em Topologia, e é ela que define o que o mapa consegue e o que não consegue mostrar.
Os pontos carregam o estado corrente que o monitoramento mantém — o mesmo que a lista mostra. Uma ONU que está fora do ar na lista está fora do ar no mapa; o mapa é outra leitura do mesmo estado, não um cadastro à parte que alguém precise manter em dia.
A coordenada de uma CTO pode ser lançada na plataforma, uma a uma, ou importada em lote de um cadastro que o provedor já mantém. As duas formas convivem: quem já tem as caixas georreferenciadas não recomeça do zero, e quem não tem consegue começar sem depender de um cadastro externo pronto.
Vale dizer o que isso implica, porque a implicação é desconfortável e é real: o mapa herda a qualidade do cadastro. Um ponto só existe no mapa se a coordenada existir. Uma coordenada errada não deixa buraco visível — ela põe a caixa num lugar plausível e errado, e ninguém percebe até alguém ser despachado para lá. O mapa é, entre outras coisas, um bom detector de cadastro ruim, contanto que alguém olhe para ele antes da urgência.
Filtros
Três recortes, combináveis:
- Por estado — mostra só o que está fora do ar. É o recorte do plantão: a tela deixa de ser a planta inteira e passa a ser o problema do momento.
- Por OLT — desenha a área atendida por uma cabeceira. Quando a planta tem mais de uma OLT, as áreas se sobrepõem no papel e a divisão real só fica visível assim.
- Por CTO — isola uma caixa e os assinantes dela. É o recorte do atendimento: antes de despachar, ver quem mais está pendurado ali.
Combinar dois muda a pergunta. Estado mais OLT mostra se as quedas de agora pertencem todas à mesma cabeceira, o que aponta para a cabeceira e não para o campo. Estado mais CTO responde, na hora do chamado individual, se o vizinho também está fora.
Para que serve na prática
Despachar com o contexto do poste certo. Um chamado chega com o endereço do assinante, que diz pouco a quem vai subir num poste. O mapa mostra a CTO que atende esse assinante, quem mais está ligado nela e como está cada um. Com isso, o técnico sai sabendo se vai a um problema de um cliente ou de uma caixa — e essa diferença muda a rota, a prioridade e o que ele conclui ao chegar. Também ajuda a evitar a visita que se descobre desnecessária no local, quando o problema era da caixa e já tinha sido resolvido por outro chamado.
Ver que as quedas do turno estão todas no mesmo quarteirão. Uma lista com quinze ONUs offline em CTOs diferentes parece quinze problemas independentes, e a topologia reforça essa leitura: os quinze pontos estão em ramos diferentes da árvore, às vezes em OLTs diferentes. No mapa, se os quinze aparecem no mesmo quarteirão, a hipótese muda inteira. Deixa de ser quinze drops rompidos e passa a ser uma obra na rua, uma queda de energia no bairro ou um trecho de rede que passa por ali. A geografia é a dimensão em que essa coincidência fica visível; na árvore da topologia, ela some.
O segundo caso é também o exemplo mais claro de por que o cadastro de CTO importa tanto. O agrupamento só aparece se as caixas estiverem no lugar certo; com coordenadas erradas, o mesmo incidente continua parecendo quinze problemas. O relatório de divergência CTO/PON existe para achar essas inconsistências antes que elas custem um turno de diagnóstico.
Por onde continuar
- Eventos e massivas — o agrupamento automático das quedas concomitantes, que faz por escopo o que o olho faz no mapa.
- Topologia — a mesma planta vista pela árvore, e a diferença entre a CTO e a porta PON.
Atualizado em 08 de setembro de 2026